Tenente Juventino da Fonseca

UM DRAMA NO ESPAÇO

O TENENTE JUVENTINO DA FONSECA TRISTE ACIDENTE NO REALENGO

(Manchete do Correio da Manhã de 21 de maio de 1908)

Os fatos

Hermes da Fonseca, então Ministro da Guerra, teve a iniciativa de dotar o Exército brasileiro de meios aéreos. O Brasil, em 1824, durante a guerra contra o Paraguai, já havia realizado um profícuo uso de balões de observação.

Foi, então, escolhido o Tenente de Cavalaria Juventino Fernandes da Fonseca, nascido em 1868, em Minas Gerais, sentou praça em 30 de abril de 1889, e foi promovido a 1º tenente em dez de 1907.

Em 1908, foi enviado a França a fim de tomar as providencias para a aquisição dos equipamentos necessários e realizar os treinamentos específicos de navegação aérea em balões.

O curso teve como instrutor o engenheiro Louis Godard. Chegou ao conhecimento do Aeroclube da Bélgica que havia um oficial brasileiro especializando-se na atividade, tendo a diretoria do mesmo convidado o Tenente Juventino para uma corrida de balões. Em 15 de setembro de 1907, participou da prova de velocidade e descida realizada em Bruxelas, sendo esta sua terceira ascensão e na qual foi classificado em 4º lugar.     

De volta ao Brasil, em 20 de maio de 1908, realizou sua primeira demonstração as autoridades brasileiras na praça defronte a Escola de Artilharia e Engenharia no Realengo. O balão era cativo com um cabo de 200 metros que o prendia ao solo.

Durante o exercício, devido ao vento, antes de atingir a altura prevista o cabo de retenção partiu-se dando inicio a uma rápida ascensão do balão até cerca de 1000 metros em direção a Serra do Barata. Repentinamente o balão murchou iniciando uma vertiginosa descida, tendo, na queda, falecido o aeronauta.

O Ten. Juventino deixou esposa, D. Angélica, e uma filha Célia, na época, com 14 anos.
Enterrado com honras militares no Cemitério do Caju, sendo seus restos

mortais transladado posteriormente para o Mausoléu dos Aviadores no Cemitério

São João Batista.


O Correio da Manhã do dia 21 noticia o acidente. No dia 22, em manchete semelhante noticia as causas da tragédia: ao abrir a válvula de gás, ela enjambrou não fechando mais e deixando escapar todo o gás. Seguiu-se a verificação dos outros balões e verificou-se que o defeito se repetia em outros.

Esta seqüência de acidente, investigação e as medidas de verificação dos demais balões foi a primeira investigação de um acidente aeronáutico  seguido de medidas de prevenção e é a prática adotada pelo SIPAER, atual Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.

Em 08 de agosto de 2003, o EB através de Boletim, concedeu a 1º Bateria de Artilharia Antiaérea, de Brasília, a denominação histórica de “BATERIA TENENTE JUVENTINO DA FONSECA” e o estandarte histórico, em deferência ao sacrifício

da vida oferecida pelo ideal da aviação no Brasil.

Cel. Alfredo  M. Dapena

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