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Quando me pediram que escrevesse
sobre o Comandante Fernando Correa Rocha, meu primeiro impulso foi aquele de
fazer um resumo biográfico. Contar sobre o homem que em 12/07/1921 nasceu paulistano
por capricho da mãe, Dona Ilda, que apesar de viver na fazenda da família em
Araraquara, vinha ter os filhos na capital, desconfiada que era das parteiras
do interior. Escrever sobre o Fernando que abandonou o curso de Direito na
Faculdade do Largo de São Francisco para ser piloto de caça e ir à guerra, onde
voaria 75 missões de combate e receberia diversas condecorações nacionais e
estrangeiras. Teria que falar do “Comandante Rocha”, homem de destaque na
Panair do Brasil e na Varig até ter sua carreira de aviador bruscamente interrompida
por um grave acidente, e do Rocha que
depois atuou por 15 anos coordenando e supervisionando projetos aeronáuticos
como os dos Aeroportos Internacionais do Galeão, Manaus e São Paulo, bem como o
Sistema Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA),
aposentando-se depois.
Entretanto, o que mais me vem à
memória é o Rocha, marido de Dona Lélia, pai de duas filhas, avô de quatro
netos e dono de incontáveis amizades. Rocha tinha o dom de cativar, com sua
fala calma, sua simplicidade e jeito tranqüilo, qualquer pessoa que conversasse
com ele e chegava a ser difícil imaginá-lo aos comandos de uma máquina de
guerra como o P-47. Rocha, entretanto, emocionava-se ao falar sobre o “Senta a
Pua”, sobre a guerra, sobre as experiências vividas e sobre os amigos que
combateram a seu lado, a ponto de Dona Lélia, zelosa que era pelo marido,
interrompê-lo quando via que a emoção começava a ser muita.
Antes de morrer, Rocha pediu que
em sua lápide fossem colocados apenas seu nome, as datas de nascimento e
falecimento, e a palavra “AVIADOR”. Em 1º de abril, no mês dos pilotos de caça,
ele partiu ao encontro de seus amigos Jambocks. Se bem o conheci, deve estar em seu “B5”, feliz por estar novamente
voando “com um amigo ao alcance de cada
asa, com um irmão ao alcance de cada braço”.
Adelphi, Comandante! |