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O Grupo de Plastimodelismo de Fórmula 1 (GPF1) foi
criado com o intuito de praticar, divulgar e ensinar o plastimodelismo de
Fórmula 1. Os encontros do grupo acontecem aos sábados na loja Colecionáveis,
em São Paulo. A primeira atividade do grupo foi promover um bate-papo com Luiz
Iritani, plastimodelista e fabricante de kits de Fórmula 1 em resina (Iritani
Kits), no dia 1 de março na própria Colecionáveis.
O
encontro, que foi todo fotografado e filmado, contou com a presença de grande
parte dos membros do GPF1, de vários colegas modelistas, do Paulo Azeitona - representando
o GPPSD e a revista Hobby News e do Sérgio, da Colecionáveis, que, como sempre,
nos “aturou” com a maior boa vontade e muito incentivo. Aliás, quero deixar
registrado aqui nosso agradecimento ao Sérgio por intermediar nosso contato com
os fabricantes de kits de F1 e tornar essa série de encontros possível.
Outro agradecimento vai também para o pessoal da
Small-Dreams (www.small-dreams.com/Forum), por todo apoio que vem dando ao
nosso Grupo e por ceder esse espaço, sem o qual não poderíamos estar divulgando
nossas atividades.
O bate-papo foi descontraído e durou mais de 70 minutos
de conversa. Infelizmente não é possível transcrever tudo o que foi dito, mas
faço um relato dos principais pontos.
Falamos sobre F1, modelismo, mercados e muitas outras
coisas, mas principalmente, sobre a história dele e de sua marca. O Iritani
começou no hobby montando modelos de Fórmula 1 em papel que ele mesmo desenhava
e montava. Os F1 sempre foram seus preferidos e devido à escassez de kits no
período de proibição das importações (quem tem mais de 30 vai lembrar-se dessa
época), essa foi a saída que ele encontrou para “alimentar” sua paixão.
Aqui faço um aparte. Depois de ver os desenhos que ele
nos mostrou de sua nova BRM, tudo no CAD, com todas as cotas e vistas, não
pudemos deixar de pensar, e nos assombrar, no quanto a coisa evoluiu desde seu
início.
Com o passar do tempo e com o convívio com pessoas do
mesmo interesse ele acabou participando da implantação da Tamiya do Brasil no
início dos anos 90. Devemos a ele a quantidade de kits de F1 produzidos aqui.
Os moldes vinham do Japão e os kits eram totalmente fabricados aqui: injeção,
caixas decais e manuais.
Mesmo antes do término da injeção de kits aqui e da
mudança da Tamiya para seu último endereço, o Luiz já produzia alguns kits em
resina poliéster. Era o início da Iritani Kits que conhecemos hoje. Quem tem
mais idade provavelmente se lembra do Uno 1/24, das Jordans 193 e 194 e da
Lotus 25, essa lançada muito antes do próprio modelo da Tamiya que viria quase
uma década depois.
Passados mais de 15 anos a Iritani Kits produziu, para o
mercado interno e para exportação, mais de 20 kits diferentes e diversas peças
promocionais sob encomenda. A produção de cada kit gira em torno de 100
unidades e, ao contrario do que acontecia anteriormente com o Real mais fraco,
seu mercado principal passou a ser o interno.
Além dos problemas do câmbio e do pequeno mercado
interno, o Luiz tem encontrado uma forte barreira na “indústria dos royalties”.
O caso mais famoso foi o de um de nossos campeões de F1 que tinha seu nome
associado a um dos produtos do Iritani. Depois de várias negociações e a
intermediação de alguns amigos em comum ficou acertado um valor a ser pago por
kit produzido.
O mesmo ocorre hoje com relação à utilização de nomes de
pilotos, fabricantes e patrocinadores da F1. Como os modelistas podem observar
até mesmo gigantes do ramo de kits plásticos estão deixando de colocar
determinas marcas em seus kits. Um bom exemplo é a ausência de uma famosa marca
de pneus em alguns kits de F1 de uma grande fábrica japonesa.
Devido a esse problema os modelistas podem esperar por
carros e pilotos cada vez menos conhecidos nos catálogos dos fabricantes. Para
os modelistas, que como eu, gostam de temas menos usuais, é um prato cheio, mas
para as vendas, de maneira geral, isso representa um grave problema.
Outro problema enfrentado é a produção de determinadas
peças de um kit em resina. Os pneus, por exemplo, tem de ser feitos em borracha
para que o kit tenha uma boa aceitação aqui e para que possa competir com os
outros fabricantes no mercado internacional.
Com a desativação da produção de kits pela Tamiya no
Brasil, o Luiz viu a possibilidade de adquirir peças e materiais que não seriam
mais utilizados pela empresa. Vários lotes de árvores de kits, pneus e outros
componentes foram adquiridos e assim ele pôde contar com itens em plástico e
borracha para dar uma melhor qualidade a seus produtos.
Para o futuro, o Luiz estuda a possibilidade de produzir
carros de F1 dos anos 60, porém um dos principais obstáculos para que isso
ocorra é a inexistência dos pneus frisados que eram utilizados nesse período. O
alto custo de uma ferramenta para injeção de plástico ou borracha inviabiliza a
produção de carros anteriores a 1971. Atualmente ele busca soluções para
viabilizar a produção desses kits.
Vamos
torcer para que, em breve, o mercado brasileiro possa ter novos kits nas
prateleiras.
Texto: GPF1
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